Por aqui, há alguns anos, dizia-se que, para ter uma
chance em uma empresa, uma pessoa precisava de Q.I., isto é, "Quem Indicou".
A palavra "Networking" é uma nova maneira de dizer a mesma coisa: quanto
maior for a rede de contatos, melhor é a possibilidade de se conseguir uma
boquinha. Mas, antes de saber o que é networking, é necessário entender o
que networking não é:
Amigos do peito. Networking não tem nada a ver com
amizade, é uma relação puramente profissional. Uma espécie de "toma lá, dá
cá", em que alguém ajuda alguém já antevendo o dia em que poderá solicitar a
retribuição da "gentileza". Amigos não cobram favores, enquanto integrantes
de uma rede de contatos dependem disso.
Mailing. Quem vive mandando mensagens via e-mail para um
grupo de pessoas e recebendo outras em troca, não tem um networking, mas
apenas uma relação informal, do tipo que vários freqüentadores de uma mesma
churrascaria teriam. Networking pressupõe "auxílio profissional", e não
apenas "interesse comum e sem obrigação recíproca".
Organogramas. Ao conseguir os nomes e os cargos dos
principais dirigentes de uma longa lista de empresas, muita gente imagina
que descobriu o mapa da mina do networking. O entusiasmo vira frustração
rapidinho, no momento em que não há nenhuma resposta do "Caro Sr. Saul
Moura, vice-presidente de Gestão de Pessoal" para um currículo enviado. Isso
ocorre porque aí faltou um ingrediente básico do networking: o conhecimento
mútuo.
E como se constrói um bom networking? Não é fácil, mas também não é tão
complicado:
1. Evitando o caminho mais difícil. É mais simples
começar por pessoas conhecidas, como os colegas de escola. A maioria
desconhece o paradeiro de 95% de seus ex-colegas. Alguns deles podem ter
progredido na carreira.
2. Freqüentando ambientes públicos onde pessoas com bom trânsito nas
empresas (isto é, as que já têm um bom networking) costumam dar as caras,
como seminários, feiras e eventos. Nesses locais, o assunto principal é
sempre menos importante que o coffee break. Sentar ao lado de um headhunter
num simpósio qualquer já é um passo enorme.
3. Não cometendo o mais comum dos erros, o de pedir algo já no primeiro
contato. Coisas do tipo: "Dona Olga, eu sou amigo do Freitas, que trabalhou
com a senhora há 15 anos. Olha, estou precisando de um favorzinho seu..."
4. Tendo paciência. Estruturar um networking é como construir uma casa:
primeiro, os alicerces. E o momento ideal para começar é quando não se está
desabrigado.
Por Max Gehringer
http://vocesa.abril.uol.com.br/edi29/max138.shl